Sinto falta II

27 03 2017

Mais uma vez acordo no meio da madrugada com lembranças que me fazem perder o sono, novamente o sonho é voltado para uma paixão misturado com amor,

da escola que passei a maior parte do tempo.

O sonho é recente então consigo lembrar dos detalhes, a ultima vez que o sentimento de saudade veio tão forte foi em 2014 (exatamente no dia 19/09, sei a data exata por ter registrado em forma de texto no blog).

Então vamos lá…         

O sonho começava no pátio da Fundação Bradesco, fui chamado pela professora Nádja diretora da escola no tempo de criança (tenho um carinho especial por ela, sempre bom registrar, talvez ela nem saiba o meu grau de satisfação), na qual me dava uma missão especifica nesse dia, a missão seria ir à biblioteca (não tem como falar da Fundação Bradesco sem falar da sua biblioteca rsrs), buscar uns livros para levar para professora Marta Aurélia (Professora de Educação Física, sempre desconfiei que ela fosse um ninja, mas tarde essa desconfiança foi confirmada, nos dias atuais ela coloca suas fotos no facebook fazendo pilates é cada posição que só um ninja o faria com tanta precisão rssrsrs), os pensamentos das lembranças estão contaminando o texto, enfim…

Continuando, quando chego na biblioteca quem me recebe Nádia Nogueira uma das bibliotecárias responsáveis pela minha formação como leitor, passei o recado da diretora enquanto ela procurava os materiais eu olhava a biblioteca, estava lá linda  e convidativa como sempre foi, lotada de leitores vorazes buscando um livro para o deleite, outros sentados no chão em um tapete cheio de travesseiros, outros nas estantes, uma verdadeira cena de filme…

Olhando os semblantes dos alunos enquanto se satisfaziam com a leitura, minha vontade imediata seria fazer o mesmo, sentar com eles e ir fazer a leitura de algum livro também, mas logo a cena foi interrompida pela bibliotecária entregando alguns livros, a missão seria entrega- los para prof. Marta, pensei… levo os livros e volto rapidamente para ficar um pouco  na biblioteca.

Quando cheguei na quadra  entreguei os livros para prof. Marta e ao se despedir ela  perguntou onde pensava que iria, disse que voltaria para a biblioteca, ela avisou que não dessa vez, falou que a diretora tinha dado a missão de começar  alguns esportes novos e eu seria a cobaia, retruquei avisando que talvez não seria a pessoa certa para o tal teste, ao terminar de falar ela já estava com os  materiais nas mãos e não tive como fugir, os esportes seriam: corrida, salto em distância, lançamento de disco (não sei exatamente de onde tirei essa ideia rsrs), fiz um por um com o pensamento de fugir   a qualquer distração, quando terminei ela perguntou qual gostei? Disse que nenhum e voltei para biblioteca (sinceridade sempre rsrsrs).

Voltando da minha missão, passei pelo pátio e encontrei dessa vez a professora Marília Tulha atual diretora (quando falo que os sonhos não respeitam a ordem cronológica), temendo outra missão maluca que me tirasse do roteiro final, fui andando discretamente para não ser visto, mas não teve jeito, ela virou e com sua memória que invejo, me chamou pelo nome e disse…

Edilson, ewww Edilson ohhh… com o dedo apontado para o céu (quem conhece a professora, imaginou o gesto perfeitamente, o tom da voz e o ângulo exato dos dedos apontados para o céu rsrsrs).

E falou a frase que me acompanharia por muito tempo…

Plante seu jardim e decore sua alma…

Ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

Assim acordei, com o sentimento de saudade apertando o coração, lembrei que esse poema é um dos meus preferidos até hoje, foi minha epigrafe na monografia, meu direcionamento no mestrado e me foi apresentado por essa pessoa maravilhosa (como pude esquecer esse tempo todo que o meu poema preferido foi apresentado ainda na escola?).

Não diferente do texto “Sinto falta” publicado em 2014 neste blog, sinto uma gratidão muito grande pela escola, hoje estou como professor da UFMA, na semana passada conversava com os alunos que chegaram na Universidade, olhando o brilho no olhar de cada um pela alegria de estarem ali, de terem conseguido, quantas batalhas tiveram que passar? A falta de recursos? Incentivo? Vizinhos barulhentos? Enfim…

Falava sobre os desafios que enfrentariam, das duvidas e que tudo isso seria normal, ao terminar de falar um aluno me olhou e perguntou, professor desculpa a pergunta indiscreta, mas o senhor estudou na Fundação Bradesco?

Fiquei surpreso pela pergunta, sorrir e disse que sim, ele completou…

ahhh lembrei de você lá, sempre na biblioteca né? Rsrs olhando direito tive a memória daquele jovem, garoto ainda brincando por lá, pensei comigo mesmo a história se repete todos os anos, alguns vendem sonhos e outros o compram para continuar a vida, dessa forma, finalizo esse texto que serve mais como desabafo, daqui a pouco o sol aparece, a vida volta ao normal, terei um dia corrido como sempre, uma banca de monografia para avaliar, um livro para terminar de corrigir enfim…

Dessa forma, lembre – se sempre…

Plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar…

que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.

Que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida.

Veronica Shoffstall

#Carpie_Diem

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